domingo, 30 de abril de 2017

Carinhoso (1937)

de Pixinguinha e João de Barro
Orlando Silva
Elis Regina
Marisa Monte

Palpite Infeliz (1936)

de Noel Rosa
intérprete: Aracy de Almeida

Quem é você que não sabe o que diz?
Meu Deus do Céu, que palpite infeliz!
Salve Estácio, Salgueiro, Mangueira,
Oswaldo Cruz e Matriz
Que sempre souberam muito bem
Que a Vila Não quer abafar ninguém,
Só quer mostrar que faz samba também

Fazer poema lá na Vila é um brinquedo
Ao som do samba dança até o arvoredo
Eu já chamei você pra ver
Você não viu porque não quis
Quem é você que não sabe o que diz?

Quem é você que não sabe o que diz?
Meu Deus do Céu, que palpite infeliz!
Salve Estácio, Salgueiro, Mangueira,
Oswaldo Cruz e Matriz
Que sempre souberam muito bem
Que a Vila Não quer abafar ninguém,
Só quer mostrar que faz samba também

A Vila é uma cidade independente
Que tira samba mas não quer tirar patente
Pra que ligar a quem não sabe
Aonde tem o seu nariz?
Quem é você que não sabe o que diz?


Ivan Lins
Olivia Byington


Aracy de Almeida - Último Desejo
Elizeth Cardoso - Último Desejo
Angela Maria - Ultimo Desejo
Gal Costa - Último Desejo
Nelson Gonçalves - Último Desejo

Cena final de Noel - O Poeta da Vila

Adeus, Batucada (1935)

de Synval Silva
Carmen Miranda (versão original)

Adeus! Adeus! Meu pandeiro do samba
Tamborim de bamba, já é de madrugada...
Vou-me embora chorando, com o meu coração sorrindo
E vou deixar todo mundo valorizando a batucada

Em criança com samba eu vivia sonhando
Acordava, estava tristonha chorando
Jóia que se perde no mar só se encontra no fundo
Sambai mocidade, sambando se goza neste mundo

E do meu grande amor sempre eu me despedi sambando
Mas da batucada agora despeço chorando
E guardo no lenço esta lágrima sentida
Adeus batucada, adeus batucada querida!

Adeus! Adeus! Meu pandeiro do samba
Tamborim de bamba, já é de madrugada...
Vou-me embora chorando, e com o meu coração sorrindo
E vou deixar todo mundo valorizando a batucada


Ney Matogrosso
Alaide Costa
Célia
Gal Costa
Lulu Santos

domingo, 23 de abril de 2017

Feitiço da Vila (1934)

de Noel Rosa e Vadico (Oswaldo Gogliano, 1910-1962)
Quem nasce lá na Vila
Nem sequer vacila
Ao abraçar o samba
Que faz dançar os galhos
Do arvoredo e faz a lua
Nascer mais cedo.

Lá, em Vila Isabel,
Quem é bacharel
Não tem medo de bamba.
São Paulo dá café,
Minas dá leite,
E a Vila Isabel dá samba.

A vila tem um feitiço sem farofa
Sem vela e sem vintém
Que nos faz bem
Tendo nome de princesa
Transformou o samba
Num feitiço decente
Que prende a gente

O sol da Vila é triste
Samba não assiste
Porque a gente implora:
"Sol, pelo amor de Deus,
não venha agora
que as morenas
vão logo embora"

Eu sei por onde passo
sei tudo que faço
paixão nao me aniquila
Mas, tenho que dizer,
modéstia à parte,
meus senhores,
Eu sou da Vila!

Maria Rita - Conversa de Botequim
Moreira da Silva - Conversa de Botequim

NOEL - POETA DA VILA
(Brasil, 2006)
Direção: Ricardo van Steen
Elenco: Camila Pitanga (Ceci), Rafael Raposo (Noel Rosa), Paulo César Peréio (Médico), Roberta Rodrigues (Lola), Flávio Bauraqui (Ismael Silva), Jonathan Haagensen (Cartola), Supla (Mário Lago), Lidiane Borges (Lindaura), Carolina Bezerra (Araci de Almeida)
Sinopse: Anos 20: Noel de Medeiros Rosa (1910-1937) tem um defeito no queixo, que disfarça com o cigarrinho pendurado na boca. Estudante de Medicina, toca no Bando dos Tangarás, um regional com jovens do bairro. Mesmo sendo branco de classe média, dá-se melhor com negros, operários e mulheres da vida. Conhece Ismael Silva e por meio dele chega ao mundo do samba, onde toma contato com pessoas como o pedreiro Cartola, da Mangueira. Descobre a malandragem. A partir de uma paródia ao Hino Nacional, compõe "Com Que Roupa?", seu primeiro sucesso. Aos 19 anos de idade, vende milhares de discos. Torna-se ídolo do rádio, é aclamado "arauto das aspirações cariocas" e "filósofo do samba". Celebridade, entrega-se à boemia. No Carnaval, conhece a operária Lindaura, de quinze anos, e começa a namorar. Meses depois, conhece a dançarina Ceci e por ela se apaixona. Divide-se entre as duas mulheres, trabalha muito, dorme pouco, vive gripado e fraco. Denunciado pela mãe de Lindaura como raptor e sedutor de menores, é obrigado a se casar sob pena de prisão. Descobre-se tuberculoso. Vai para Belo Horizonte e tenta recuperar sua saúde. Volta ao Rio de Janeiro, reencontra Ceci e abandona Lindaura. Torna-se parceiro de Ismael e do cantor Chico Alves. Em encontros ocasionais, engravida Lindaura. Ceci o deixa, e Lindaura perde o bebê. Noel bebe mais ainda. A tuberculose piora, ele mal consegue se locomover.
Compõe "Último Desejo", o samba que havia prometido para seu grande amor, Ceci.

Noel Rosa - Com Que Roupa?

domingo, 16 de abril de 2017

O Teu Cabelo Não Nega (1932)

Os irmãos João e Raul Valença, autores conhecidos de frevos-canção e maracatus no Carnaval de Pernambuco, enviaram à Gravadora Victor, no Rio de Janeiro, a partitura de sua composição, denominada Mulata.
A gravadora pediu a Lamartine Babo que a ajustasse ao gosto carioca. O compositor assim o fez, e a lançou com letra ligeiramente modificada (o estribilho ficou intocado) e com o título de O teu cabelo não nega, que era exatamente o primeiro verso da composição original. No selo do disco então lançado estava escrito: "Letra e música de Lamartine Babo (sobre motivo do Norte)".
Essa atitude levou os Irmãos Valença a entrar com ação judicial contra a gravadora, ação vencedora em todas as instâncias, tendo a gravadora sido obrigada a pagar indenização aos legítimos autores e adicionar seus nomes na autoria da composição, ficando os mesmos com metade do arrecadado com direitos autorais.
Uma vez que houve acréscimo de letra por Lamartine Babo, a pedido da gravadora, os Irmãos Valença acederam e deixaram seu nome aparecer como coautor. Porém, até hoje, os verdadeiros autores aparecem em segundo lugar.

Pelo Telefone (1916)

Antes de "Pelo Telefone" (apenas a música) ser registrado na Biblioteca Nacional, em 1916, por Ernesto Maria dos Santos (Donga) com o gênero de "samba", pelo menos dois outros sambas já haviam sido gravados: "Em casa de baiana" (Alfredo Carlos Brício, 1913) e "A viola está magoada" (Baiano, 1914). "Pelo Telefone", entretanto, fez mais sucesso e fixou o nome "samba" como um dos gêneros centrais da música popular urbana no Rio de Janeiro.
Na realidade, o que se cantava nas casas das tias baianas, como Tia Ciata, eram lembranças de festas nordestinas, intercaladas com improvisos de momento, verdadeiras colchas de retalho melódicas. Quase nada tinham em comum com o que hoje conhecemos como samba.
O mote que deu origem à letra cantada por Bahiano e fixada em cera na Casa Edison, em 1916, dizia respeito à polêmica proibição dos jogos de azar pelo chefe de polícia Belizário Távora ocorrida três anos antes e à cobertura jornalística dada ao caso pelo jornal A Noite, cuja redação estava localizada no Largo da Carioca. Dois repórteres instalaram uma roleta na calçada em frente à porta do jornal e documentaram a jogatina, com intuito de desmoralizar a nova lei.
Não só os jogos de azar eram perseguidos pela polícia. Manifestações populares, sobretudo as dos ex-escravos e seus descendentes, sofriam o mesmo tipo de repressão, conforme o documento datado de 25 de setembro de 1918, assinado pelo então chefe de polícia Aurelino Leal:
"Providências para a Festa da Penha. Uma força da Brigada Policial composta por 10 praças de infantaria e 6 de cavalaria seguindo uma outra de 30 praças de infantaria e 20 de cavalaria. Recomendo-vos, outrossim, que absolutamente não permitais o divertimento denominado "Samba", visto que tal diversão tem sido a causa de discórdias e conflitos." (Arquivo Nacional, Ijj6-678)
Primeira composição classificada como samba a alcançar o sucesso, "Pelo Telefone" marca o início do reinado da canção carnavalesca. É a partir de sua popularização que o carnaval ganha música própria e o samba começa a se fixar como gênero musical. Desde o lançamento, quando apareceram vários pretendentes à sua autoria, e mesmo depois, quando já havia sido reconhecida sua importância histórica, o "Pelo Telefone" seria sempre objeto de controvérsia, tornando-se uma de nossas composições mais polêmicas em todos os tempos.
Quase tudo que a este samba se refere é motivo de discussão: a autoria, a afirmação de que foi o primeiro samba gravado, a razão da letra e até sua designação como samba. Todas essas questões, algumas irrelevantes, acabaram por se integrar à sua história, conferindo-lhe mesmo um certo charme. "Pelo Telefone" tem uma estrutura ingênua e desordenada: a introdução instrumental é repetida entre algumas de suas partes (um expediente muito usado na época) e cada uma delas tem melodias e refrões diferentes, dando a impressão de que a composição foi sendo feita aos pedaços, com a junção de melodias escolhidas ao acaso ou recolhidas de cantos folclóricos.
Outra versão, relatada por Donga a Ary Vasconcelos e ao jornalista E. Sucupira Filho, é a de que "Pelo Telefone" teria surgido de uma estrofe a ele transmitida por um tal Didi da Gracinda, elemento ligado ao grupo de Hilário Jovino. Já Mauro de Almeida, que parece nunca ter-se preocupado em afirmar sua participação na autoria, declarou, em carta ao jornalista Arlequim, ser apenas o "arreglador" dos versos, o que corresponderia à verdade. "Pelo Telefone" foi lançado em discos Odeon, em dezembro de 1916, simultaneamente pelo cantor Bahiano (foto) e a Banda da Casa Edison. Primeiro samba?
Em 1917, o samba Pelo Telefone se transformou no marco inicial da história fonográfica daquele gênero musical. Historiadores, porém já registraram, em suas pesquisas, gravações anteriores que podem ser reconhecidas como samba e que comprovadamente foram gravadas antes da composição assinada pela dupla Donga/Mauro de Almeida. O sucesso comercial de Fred Figner e sua Casa Edison, no Rio de Janeiro, provocou o aparecimento de concorrentes no Brasil inteiro e uma variedade enorme de selos fonográficos surgiu. A maioria de vida curta, mas que acabou por contribuir culturalmente com a música popular brasileira e influir na instalação da indústria fonográfica no país.

A letra da música
Pelo Telefone (samba, 1917) - Donga e Mauro de Almeida
Almirante

Bb-------------------------- Gm--------------- Cm--- F7
O chefe da folia pelo telefone manda lhe avisar
-----------------Cm-------------- F7-------------- Bb
Que com alegria não se questione para se brincar
--------------------------------Gm ---------------Cm---F7
O chefe da polícia pelo telefone manda lhe avisar
----------------Cm------------- F7-------------- Bb
Que na Carioca tem uma roleta para se brincar
: - Ai, ai, ai,
------------------------------F7
- Deixa as mágoas para trás ó rapaz
- Ai, ai, ai,
-----------------------Bb-------- F7 Bb F7 Bb
- Fica triste se é capaz, e verás :
---------Gm ----------------Cm
: Tomara que tu apanhes
----------F7-------------- Bb
Não tornes a fazer isso
----Gm----------------- F7
Tirar o amor dos outros
--------------------Bb
E depois fazer teu feitiço :
----------------Eb
: Ai se a rolinha (Sinhô, sinhô)
---------------Bb
Se embaraçou (Sinhô, sinhô)
------------------F7
É que a avezinha (Sinhô, sinhô)
----------------Bb
Nunca sambou (Sinhô, sinhô)
--------------------Eb
Porque este samba (Sinhô, sinhô)
-------------Bb
É de arrepiar (Sinhô, sinhô)
-------------------F7
Põe perna bamba (Sinhô, sinhô)
------------Bb F7 Bb F7 Bb
E faz chorar

Donga e Chico Buarque - 1966
Martinho da Vila (1973)

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Ó abre alas! (1899)

Composição de Chiquinha Gonzaga
Ó Abre Alas é a composição mais conhecida da compositora, maestrina, pianista, abolicionista, republicana e feminista Chiquinha Gonzaga.
Chiquinha Gonzaga, que escandalizou a sociedade carioca de sua época com seus ideais libertários e com a popularização do samba como música genuinamente brasileira.
Jovem, foi obrigada pelo pai, Basileu, um militar rígido, a casar-se com Jacinto, um homem que, apesar de amá-la, privava Chiquinha de sua maior paixão, a música, ao sentir que seu casamento é preterido pelos ideais de sua esposa. Chiquinha, não hesita em deixar o marido para viver com o seu grande amor, o músico João Batista, um homem liberal que mantém uma relação mal resolvida com Suzette, a proprietária do maior salão da corte.
É entre a classe artística marginalizada que Chiquinha Gonzaga encontra o apoio para compor e vai tornar-se a primeira compositora e maestrina do cenário brasileiro do final do século XIX.
Tinha Chiquinha cinquenta e dois anos, já avó, e foi justo no ano dessa composição que inicia o romance com o jovem português João Batista Fernandes Lage, então com dezesseis anos e aprendiz de música.
A canção foi feita para o cordão carnavalesco Rosa de Ouro, citado na letra. O sucesso é considerado a primeira marcha carnavalesca da história. Na época Chiquinha morava no Andaraí.
Não refutou o pleito que resultou na vitória do Cordão no carnaval. Era comum, naquele tempo, os cordões entoarem versos que anunciavam sua passagem, e a marcha de Chiquinha antecipou um gênero que só veio a se firmar duas décadas após.
Entre os anos 1901 e 1910 foi tema de peça de teatro e grande sucesso nos carnavais, tornando-se símbolo do carnaval carioca.
Foi gravada em 1911 pela banda da Casa Faulhaber & Co, num disco de 78 rpm.
A vida de Chiquinha Gonzaga foi o tema de uma minissérie da Rede Globo em 2005, com Gabriela Duarte e Regina Duarte no papel da maestrina.
Documentário em vídeo: A Maestrina Chiquinha Gonzaga Série 500 anos de História do Brasil - Guilherme Fontes Filmes - GNT, 1999 Apresentado pela atriz Carolina Ferraz Além da participação da biógrafa da maestrina, Edinha Diniz, conta também com depoimentos da pianista Clara Sverner, do músico Paulo Moura, da atriz Rosamaria Murtinho, da escritora Maria Adeláide Amaral, do musicólogo Ary Vasconcelos, do ator Mário Lago, entre outros.
Mc Leozinho - Ô Abre Alas

domingo, 2 de abril de 2017

O Grande Circo Místico

O Grande Circo Místico foi composto por Chico Buarque e Edu Lobo. As músicas foram interpretadas por Milton Nascimento, Gal Costa, Simone, Zizi Possi entre outros. O disco foi lançado pela Som Livre em 1983.

01 Abertura do Circo - Instrumental 00:00
02 Beatriz - Milton Nascimento 03:00
03 Valsa Dos Clowns- Jane Duboc 08:31
04 Opereta Do Casamento - Coro 12:12
05 A História de Lily Braun - Gal Costa 16:08
06 Oremus - Coro 20:00
07 Meu Namorado - Simone 21:59
08 Ciranda Da Bailarina - Coro Infantil 24:43
09 Sobre Todas As Coisas - Gilberto Gil 27:06
10 O Tatuador - Instrumental 32:07
11 A Bela e a Fera - Tim Maia 35:35
12 O Circo Místico - Zizi Possi 38:31
13 Na Carreira - Chico Buarque & Edu Lobo 42:12

Beauty and the Beast

Alan Menken - Main Title: Prologue Pt. 1
Belle
Alan Menken - Main Title: Prologue Pt. 2
Josh Groban – Evermore
Alan Menken - Overture
Céline Dion - How Does A Moment Last Forever
Alan Menken - Aria
Days In The Sun

sábado, 1 de abril de 2017

Aos Nossos Filhos

Composição: Ivan Lins e Vitor Martins
Álbum: Saudade do Brasil
Ano 1980
Elis Regina
Ivan Lins
Pedro Mariano

Perdoem a cara amarrada, perdoem a falta de abraço
Perdoem a falta de espaço, os dias eram assim
Perdoem por tantos perigos, perdoem a falta de abrigo
perdoem a falta de amigos, os dias eram assim
Perdoem a falta de folhas, perdoem a falta de ar
perdoem a falta de escolha, os dias eram assim

E quando passarem à limpo, e quando cortarem os laços
E quando soltarem os cintos, façam a festa por mim
Quando lavarem a mágoa, quando lavarem a alma
Quando lavarem a água, lavem os olhos por mim
Quando brotarem as flores, quando crescerem as matas
Quando colherem os frutos digam o gosto prá mim

Fall Out Boy - Immortals (From "Big Hero 6")

Fall Out Boy - Ghostbusters (I'm Not Afraid) (Audio) ft. Missy Elliott
Fall Out Boy - Centuries
Fall Out Boy - Uma Thurman
 
Fall Out Boy - Dance, Dance
Fall Out Boy - Thnks fr th Mmrs